PIB do Nordeste pode crescer acima do brasileiro em 2008 e 2009
A economia da região Nordeste ainda deve crescer acima do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2009, de acordo com estudo desenvolvido pela Datamétrica Consultoria. Para 2008, a expectativa é de o PIB do Nordeste cresça 5,5%, acima dos 5,18% projetados para o PIB nacional. No próximo ano, em função do aprofundamento da crise financeira externa, a economia brasileira cresce menos, 3,55%, mas ainda assim a economia nordestina crescerá acima da média,
chegando a uma taxa de 3,81%. No IBGE, os últimos dados oficiais doPIB regional são de 2005 e indicam que o Nordeste cresceu acima do PIB nacional em 2005 e 2004.
Em 2008, os Estados do Nordeste crescem acima da média nacional estimulados por fatores como o aumento do consumo das famílias e dos gastos públicos (em função do ano eleitoral). Entretanto, Alexandre Rands, presidente da consultoria e da Associação Brasileira de Estudos Regionais e Urbanos (Aber) observa que a economia da região já tem dado sinais de desaceleração. Já em julho, observa, o varejo do Nordeste crescia 8,9%, contra média nacional de 10,62%; o mesmo acontecia com as operações de crédito (que cresciam 9,88% no Nordeste ante 13,4% no país) e com a produção industrial (3,24% na região ante 6,09% no país).
"A crise vai provocar uma redução no ritmo de crescimento, mas a partir de março a situação começa a melhorar", afirma Rands. Ele cita como fatores para o otimismo a recuperação das indústrias de exportação de camarão e a melhoria das vendas externas de automóveis e de petróleo, por conta da desvalorização do real em relação ao dólar.
"O câmbio deve ficar numa faixa entre R$ 1,90 e R$ 2, que já representa um ganho de competitividade significativo para as indústrias brasileiras", avalia Rands. Esses fatores, segundo ele, podem contrabalançar a perspectiva de desaceleração da demanda no mercado doméstico, permitindo dessa forma um crescimento econômico pouco inferior ao projetado para este ano.
Ainda de acordo com o economista, o preço do petróleo acima de US$ 70 o barril com o real desvalorizado faz com que o etanol também se mantenha competitivo, o que ajudará as indústrias sucroalcooleiras de Alagoas, Pernambuco e Paraíba a manterem bons resultados no
próximo ano. As indústrias de alimentos de toda a região também devem manter o ritmo de produção, graças à manutenção do nível de emprego na região e da distribuição dos recursos do Bolsa Família.
Dessa forma, quatro Estados vão liderar o crescimento do PIB
nordestino Pernambuco (4,2%), puxado por investimentos em refinarias de petróleo, estaleiro, resina plástica, concentrados na região de Suape; Bahia (3,58%), beneficiado também por investimentos na área
petroquímica e pela recuperação das exportações de veículos; Ceará (3,55%), com a possibilidade de recuperação nos embarques de produtos têxteis, que nos últimos anos sofreram perdas com a concorrência chinesa; Maranhão (5,02%), que conta com investimentos de longo prazo em andamento na área de mineração e na área agrícola; e Rio Grande do Norte (3,8%), beneficiado por investimentos
nas áreas petroquímica e turística.
Os outros Estados devem registrar um crescimento econômico inferior à média nacional, segundo a Datamétrica. O resultado mais fraco previsto será em Alagoas, cujo PIB deve crescer 3,02%, 1,1 ponto percentual abaixo do projetado para este ano. "Alagoas tem muitas riquezas naturais, mas falta um consenso das elites políticas que
permita a criação de uma agenda mínima de desenvolvimento", dizRands.
Em seguida estão Sergipe, cujo PIB deve crescer 3,04%, ante 4,87% em 2008, Piauí, com expansão de 3,4% (ante 5,09%) e Paraíba, com crescimento de 3,52%, ante 5,06% neste ano. "O Piauí é uma fronteira agrícola e registra crescimento semelhante ao Maranhão, mas não tem as mesmas riquezas minerais, por isso cresce menos", compara Rands.
"Paraíba tem características semelhantes a Pernambuco, mas também por ter menos riquezas naturais, cresce menos", completa. O economista participa do VI Enaber, realizado em Aracaju até hoje.
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