“Parceiros Dell: coloquem o cinto de segurança”, aconselham analistas
Decisão sobre os rumos da companhia deve sair nos próximos dias. Paira no ar incerteza sobre as transformações, e analistas aconselham a revendas buscarem um plano B.
Um aviso aos parceiros Dell: coloquem os cintos de segurança que uma turbulência está pela frente. Isso é o que analistas aconselham aliados da fabricante de computadores, que vive momentos decisivos quanto ao seu futuro. Há uma briga de visões sobre o destino da companhia. O entrave envolve o CEO, Michael Dell, e os investidores da Carl Icahn.
Em meio ao fogo cruzado, os canais da marca parecem torcer para que o presidente saia vitorioso em uma decisão que pode sair nos próximos dias. Esses parceiros estariam alinhados com o executivo para retomar o poder na companhia, que passaria a ser uma organização privada, com foco dado ao crescimento, ao invés de priorizar especificamente o retorno aos acionistas. Mas não se animem tanto, independentemente do que for decidido.
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“Haverá revezes significativos aos parceiros, não importa quem vença”, ponderou o analista da IDC Crawford Del Prete. Ele adicionou que as revendas da marca deverão ficar bastante atentas ao que ocorrerá nas próximas duas semanas, o que deve refletir em como serão os próximos seis meses para a Dell.
Enquanto isso, a fabricante está parada em um limbo, tentando passar a melhor imagem possível aos canais. “Durante a pendência da transação, mantemos o foco constante em nossos clientes e o comprometimento em prover a vocês, revendas, uma experiência superior em produtos e soluções que alavanquem negócios”, escreveu Greg Davis, vice-presidente e gerente-geral de canais comerciais da fabricante, em um e-mail encaminhado a parceiros na quarta-feira (24/07).
Até o momento, os canais dizem ter sentido esse comprometimento vindo da provedora. “Na minha perspectiva, a Dell não perdeu seu ritmo, apesar de todas suas distrações”, comentou Michael Goldstein, presidente e CEO da LAN Infotech, um aliado da fabricante baseado na Flórida. Entretanto, analistas acreditam que o futuro da companhia está longe de ser resolvido, independentemente de quem vencer a queda de braço entre Michael Dell e Icahn.
“A Dell vai enfrentar um período de turbulência, [não importa o que será decidido nas próximas semanas]”, avaliou Del Prete, da IDC. “VARs precisam de um plano B”, aconselhou, para acrescentar: “se clientes estão perguntando muito sobre o futuro da provedora, vocês precisam de uma alternativa para começar a falar a respeito”.
Sob um cenário de vitória de Michael Dell, o analista acredita que os parceiros ganharão ânimo revigorado e movimentos mais ousados e rápidos. No outro extremo, o mercado avalia que, sob o comando do Icahn, a companhia se moveria de maneira mais cautelosa em um possível reposicionamento de linhas, divisões de negócio e produtos.
A Icahn prometeu uma reforma geral no time de gestão da Dell. A escolha reverteria um efeito cascata na organização. “O rosto dos executivos que trabalham diretamente com canais pode não mudar, mas o de seus chefes, é bem possível que mudem”, avaliou o analista da IDC. Além disso, em um esforço de ampliar margens e pagar dívidas, uma organização controlada pela Icahn poderia espremer custos para ser mais competitiva em preço, o que implicaria menos lucro para os canais.
A Dell segue um esforço para reinventar-se como empresa provedora de solução, seguindo rumos de HP e IBM. Essa transição pode incluir o abandono do mercado de servidores low-end e negócios de PC, ponderou Frank Gillet, analista da Forrester.
Ben Bajarin, analista da companhia de pesquisa de mercado Creative Strategies, também aconselha revendas da marca a terem um bom plano de backup. “Seja como for, a Dell será uma empresa muito diferente daqui a meio ano”, comentou. “Não será o ‘negócio de sempre’, não importa o que ocorrer nos próximos dias”, projetou.
Independentemente do que for decidido na votação dos próximos dias, Michael Dell diz que ficará bem com o que os acionistas decidir. “A decisão agora é sua. Estou em paz de qualquer maneira e vou honrar a decisão”, escreveu, em uma carta aberta aos acionistas na quarta-feira.
