Onde está o dinheiro: veja estados com maior crescimento do orçamento de TI
O Brasil é um só. Mas as diferenças regionais expressas em sotaques e costumes também chegam à área de TI das empresas, conforme indicam os dados levantados no ano passado junto a CIOs de todo o País. Os resultados indicam um movimento que já era aventado de maneira informal: os orçamentos de TI que mais crescem estão fora do eixo Rio-São Paulo, o que mostra a pujança e oportunidades de crescimento para fornecedores locais.
Um dos destaques vai para a perspectiva indicada pelos executivos de companhias capixabas que colocou o Espírito Santo no topo do ranking entre os estados com maior indicação de crescimento das verbas de TI para este ano. Conforme o estudo, mais da metade (55%) dos dirigentes da área indicou expansão acima de 30% em seus orçamentos. É o mesmo percentual de executivos da mesma localidade que indica perfil estratégico da empresa em relação ao investimento de TI, cobrando postura de inovação e aplicação de novas tecnologias – embora o Espírito Santo fique no topo da lista estadual deste item, também lidera o grupo que apresenta maior conservadorismo em investimentos de TI, com 22% dos CIOs indicando que a empresa vê TI como gasto e limita os investimentos ao necessário.
O desempenho da capixaba Fortlev retrata a atuação regional. Produtora de soluções para armazenamento de água como caixas d´água, tanques, tubos e conexões, com quatro unidades fabris, em Serra (ES), Camaçari (BA), Cajamar (SP) e Araquari (SC), e 1,5 mil colaboradores, a empresa fundada em 1989 registrou crescimento médio de 20% ao ano nos últimos quatro anos. Para sustentá-lo, passou por um processo de profissionalização que incluiu a estruturação de uma diretoria administrativo-financeira, responsável também pela área de TI.
A chegada de um profissional acostumado a conviver com ambientes tecnológicos regidos por marcas como SAP e Oracle trouxe a conscientização a respeito do papel da TI e a valorização da área. “Foi um dos primeiros motivos para a verba aumentar”, diz o gerente Breno Parmejani Souza. Se antes as verbas eram levantadas na medida da necessidade e só atendiam ao que era emergente, este ano, com orçamento estruturado de Capex, os investimentos estão previstos, aprovados e direcionados para áreas como infraestrutura e software (ERP), incluindo upgrade de servidores, expansão de rede wireless e contratação de serviço para mapeamento de processos.
“A planilha ajudou a dar visibilidade aos empresários do que era importante e o que vai acontecer”, indica o executivo. Segundo ele, o mesmo movimento de profissionalização está ocorrendo em diversas outras empresas no estado, onde convivem gigantes como Vale e Arcelor Mittal e uma camada de médias companhias como Hotifruti, Autoglass, Águia Branca e Dadalto – todas botando em prática investimentos de porte.
O segundo posto do quesito expansão superior a 30% pertence ao Distrito Federal. Com um em cada três executivos apontando a mesma expectativa (33%), a localidade encabeça a lista de estados com empresas de perfil mais moderado em relação aos investimentos em TI, com mais da metade dos CIOs indicando busca de retorno tangível. Já o grupo dos mais modestos em crescimento, com ampliação de 1% a 10%, é liderado pela Bahia, onde 35% dos CIOs indicaram esta faixa, seguidos pelos mineiros, com 32%.
A construtora JC Gontijo é um dos exemplos da expansão no Distrito Federal. A instituição atua no mercado imobiliário de Brasília e do Rio de Janeiro com empreendimentos residenciais e comerciais, loteamentos, shopping centers e condomínios vistosos, com projetos como superquadras e bairros planejados. “O desenvolvimento em sistemas e infraestrutura foi necessário para sustentar o crescimento da empresa, devido ao aquecimento do mercado residencial de Brasília”, conta o coordenador de TI Rogenio Guerreiro.
De acordo com ele, a expansão de banco de dados e servidores de aplicação chegou a 20%, com robustez suficiente para sustentar aplicações web e Delphi e inovações como o sistema móvel de vistoria para entrega de apartamentos, com tablets substituindo pranchetas e canetas. Apesar da perspectiva de ligeira retração percebida do ano passado para cá, que pode fazer com que o crescimento de 30% antes previsto para o orçamento de TI seja mais modesto, a empresa deve começar em breve as obras do Residencial Riacho Fundo, onde está previsto investimento de 460 milhões de reais em mais de cinco mil unidades habitacionais populares dentro do projeto Morar Bem, do governo do Distrito Federal.
Distrito Federal e Minas Gerais também estão na frente quando o tema é a participação da TI na formulação do planejamento estratégico da empresa : 47% e 32% dos CIOs destas regiões, respectivamente, indicaram que a área de TI participa amplamente do processo, com direito de influenciar o planejamento.
Retomadas no negócio
O desempenho da Fidens também ilustra a vitalidade mineira. A empresa de construção pesada passou por crescimento vertiginoso nos últimos cinco anos e, apesar da retração do último biênio nas verbas federais e iniciativas privadas, já verifica alguma retomada nos negócios. Mesmo assim, a perspectiva para a TI é contar com orçamento 30% maior que no último período. A desproporção está relacionada à visão estratégica adotada nos últimos três anos, quando os investimentos foram reforçados e o orçamento passou a ter como base metodologia de Capex proposto para o ano inteiro.
Boa parte do esforço é direcionada a infraestrutura e inovação, com exemplos como a automação do registro das atividades de equipamentos pesados por RFID (siga em inglês para inglês Radio-Frequency IDentification). Nos últimos dois anos, a empresa revisou backbone, ampliou links de comunicação e substituiu o parque de servidores. Agora é a vez de upgrade de módulos SAP e revisão de processos. “Estamos com plataforma robusta e informação bem mapeada. O próximo passo são investimentos na inteligência do negócio”, adianta o gerente de TI Rudy Cordeiro. Segundo ele, o organograma com ligação direta à diretoria é um dos indicativos da posição estratégica da área dentro da companhia – o mais comum, diz, é a interface passar por uma superintendência. “O elo direto dá mais robustez.”
Fornecedora, mas também compradora
O terceiro estado na lista daqueles cujos CIOs indicaram crescimento superior a 30% em seus orçamentos é o Paraná, com 23% das respostas apontando essa tendência. Aqui vale citar, contudo, que um número maior de executivos, 32%, pontuou comportamento orçamentário mais modesto, com expansão entre 1% e 10%. A presença de empresas sólidas, com investimentos voltados a inovação e expansão, reforça o perfil estadual. Um dos exemplos é o grupo Positivo, cujo orçamento total de TI deve chegar a 50%. A situação é até sui generis, já que a décima maior fabricante de computadores do mundo e maior do País agora foge da obsolescência com investimentos em atualização de infraestrutura, redes e telecom, com consolidação de servidores e virtualização, troca de switches core e de borda, atualização de telefonia (com VoIP) e implementações como Active Directory, em substituição a Novell, e ferramenta de colaboração. “O parque de servidores era 80% físico. Deve chegar a 60% virtualizado”, ilustra o superintendente de TI Álvaro Del Valle.
Na Coamo, cooperativa agropecuária nascida em Campo Mourão em 1970 e que hoje conta com mais de 25 mil cooperados, perto de sete mil funcionários e colaboradores, receita anual superior a 7 bilhões de reais e unidades de beneficiamento responsáveis pela industrialização de 1,3 milhão de toneladas de soja e 51,6 mil toneladas de trigo, entre outros, os investimentos em TI são demandados para sustentar o crescimento. Em 2012, registrou ativo total de 1 bilhão de reais, 29,7% superior ao ano anterior. Os recursos serão destinados à adequação da infraestrutura ao volume crescente de processos, passando por servidores, banco de dados e storage, e a inovações apoiadas em serviços web e mobilidade. “Principalmente para atendimento aos cooperados”, diz o gerente de TI Ailton de Almeida Queiroz. Um dos projetos prevê o fornecimento de equipamentos móveis para as visitas de campo dos 250 técnicos. Outro, sustentar nova planta de moinho de trigo que será inaugurada no ano que vem. “O agronegócio tem apresentado ganho de produtividade. Notadamente no Paraná”, avalia o executivo.
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