05/05/2010 | Valor Econômico

Motorola busca apoio de teles para dispositivos especiais

Equipamentos: Meta da companhia americana é reforçar atuação no mercado de computadores móveisMotorola busca apoio de teles para dispositivos especiais
Em mais um passo para expandir-se além do mercado de telefones celulares, a Motorola está usando velhos conhecidos - as operadoras de telefonia móvel -, para aumentar sua presença no mercado empresarial. É por intermédio delas que a empresa pretende incrementar a venda de sua linha de computadores móveis. São dispositivos semelhantes a smartphones, mas feitos para atender às necessidades específicas de companhias que possuem equipes de venda em campo, ou que precisam de mobilidade em ambiente hostil, como uma plataforma de petróleo.

De acordo com Eduardo Stéfano, vice-presidente de mobilidade para governo e empresas da Motorola, o mercado potencial para esse tipo de dispositivo pode chegar a 20% dos celulares usados por empresas hoje no Brasil, algo em torno de 3 milhões de dispositivos.

Os aparelhos fazem chamadas de voz e rádio, têm câmera fotográfica, tela sensível ao toque e teclado. Todas são características comuns a muitos smartphones. A diferença é que reúnem características que os tornam mais resistentes a quedas e à umidade. Segundo Stéfano, os equipamentos não competem com os smartphones vendidos pela companhia, pois são direcionados a aplicações específicas.

O uso desse tipo de dispositivo no Brasil não é uma novidade. Segundo Stefano, a Motorola já tem projetos com empresas como Walmart, Ambev, Nestlé e Coca-Cola. Agora, porém, a Motorola quer envolver as operadoras no processo de venda dos aparelhos.

Para isso, a empresa investiu US$ 400 mil para testar e aprovar o uso de seu computador móvel dentro das redes das operadoras. O processo é comum aos fornecedores de celulares e smartphones, mas nunca tinha sido feito pelos fabricantes desses dispositivos especiais, como Motorola e Intermec.

As primeiras homologações foram feitas pela Vivo e pela Claro. De acordo com Stéfano, nas próximas semanas TIM e Oi também finalizarão o processo.

Segundo Alex Almeida, gerente de soluções corporativas da Vivo, a homologação permite que o aparelho seja configurado de forma a funcionar dentro das características particulares de cada operadora. Apesar de usarem o GSM como padrão de comunicação, as teles adotam sistemas diferentes em suas operações. "Isso permite que o usuário possa usar os serviços de suporte da companhia caso algum problema aconteça", diz Almeida.

Com os novos dispositivos, o executivo afirma que a Vivo passa a ter resposta para uma demanda até então não atendida. "Se um cliente precisava de um produto desse tipo, nós simplesmente dizíamos que não tínhamos o que oferecer", diz. Almeida reconhece que o mercado para esse tipo de equipamento é restrito. "Mas um projeto geralmente conta com centenas ou até milhares de dispositivos", completa. De acordo com Almeida, as operadoras terão dois ganhos com a oferta desses aparelhos: o mais aparente é o incremento na receita com serviços de voz e dados. O outro é a fidelização de clientes.

O computador portátil da Motorola chegará ao Brasil custando mais de R$ 2 mil. Ao contrário dos smartphones, o aparelho não terá subsídio das operadoras. Por não se tratar de um produto de venda em grandes volumes, eles serão vendidos por meio de um distribuidor nomeado pela Motorola, a Btel Telecom.

Inicialmente, a Motorola vai colocar no mercado apenas um modelo do produto. A chegada de outros dois está prometida até o fim do ano. Segundo Stéfano, os equipamentos serão importados dos Estados Unidos, mas a produção no Brasil não está descartada caso seja justificada pela demanda.

O Brasil é o primeiro país da América Latina onde a Motorola está colocando em prática a estratégia de venda por meio de operadoras. O país é a quarta geografia - como a empresa chama blocos de países específicos - mais importante para a companhia no mundo.

No ano passado, a receita local da Motorola foi de US$ 910 milhões. O resultado médio da operação nos últimos dois anos foi negativo em 24,22%, segundo levantamento da Bloomberg. O desempenho é semelhante ao que a Motorola vem obtendo no resto do mundo, como reflexo de seu processo de reestruturação. Com as vendas de celulares em queda, a Motorola está se esforçando para aumentar sua presença no mercado de redes e sistemas de mobilidade para empresas e governos. A companhia planeja para o primeiro trimestre de 2011 dividir-se em duas empresas distintas e de capital aberto: uma focada em celulares e outra em mobilidade.

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