01/04/2010

Microsoft: vamos bater o Google na nuvem

Doug Henschen - InformationWeek EUA


Vice-presidente senior, Kurt DelBene, fala sobre estratégia da fabricante em aplicativos web e reforça compromisso com colaboração.

"Confusa". É assim que Kurt DelBene, vice-presidente sênior da Microsoft para o grupo Office Business Productivity, definiu a estratégia do Google em computação em nuvem para produtividade e colaboração em desktop em entrevista concedida à InformationWeek EUA.

A estratégia da Microsoft, em contraste, é focada e consistente, declara DelBene, oferecendo fidelidade completa por meio de plataformas on-premise móvel e baseada na internet. Não foi nenhuma surpresa ouvir o VP apresentar as cartas da Microsoft, como a oferta do Office na nuvem. Mas DelBene não forneceu nada que explicasse a habilidade da companhia para competir e vencer em um cenário puro de lançamentos cloud.

"O mundo híbrido é uma realidade, mas este não é nosso único ponto de diferenciação", afirma DelBene. "Teremos uma parcela de clientes que irão puramente para o online e temos as melhores ofertas neste terreno. Outros clientes continuarão com aplicativos instalados. O real desafio será atender os consumidores que estiverem no limiar dos dois mundos, oferecendo a eles toda a flexibilidade com divisões que eles necessitam", acrescenta.

Na questão do on-premise, a Microsoft tem muitas coisas que serão reveladas no grande anúncio programado para o mês de maio, quando novas versões de produtos como SharePoint, Office e Exchange serão apresentadas. As atualizações incluem melhora de suporte para organizações locais com conectividade extranet no SharePoint. Funcionalidades de business intelligence (BI) foram acopladas no SharePoint 2010, e a visualização de dados e opções de análises ampliadas no Excel. O Outlook, finalmente, ganha uma interface familiar à do Office, além de novas ferramentas.

A Microsoft também lançará o Office Communications Server 2010, onde a companhia conseguirá avançar em suas ambições de invadir a telefonia IP, aproveitando a popularidade do Office e SharePoint. Resposta por voz e capacidade de reconhecimento, integração com calendário e e-mail estão entre as novas experiências que a fabricante promete. A nova ferramenta Social Connector adiciona perfil pessoal e capacidades de gerenciamento.

"Muitas companhias suportam de forma separada produtos de presença, mensagem instantânea, chat, colaboração em tempo real e VoIP e outros produtos de voz digital", observa o executivo. "Levamos a visão de que você deve ser capaz de mover tudo de uma modalidade de comunicação para outra e que a noção de presença é central na experiência de colaboração."

Críticos podem dizer que a Microsoft está apenas iniciando a briga nesta área com o SharePoint e Office e as novas funcionalidades do Social Connector e Office Communications Server. O fato, entretanto, é que muitas companhias veem os fundamentos do e-mail e colaboração corporativa quebrados. DelBene acredita que muitas organizações buscam uma melhor experiência colaborativa. Mas ele não acredita que o argumento do Google de que menos é mais mudará o jogo.

"O Google trabalha de forma confusa e não focada nos cenários chave", provoca. "Um dos maiores casos de uso de aplicações web é visualização de documentos. Se você recebe um anexo e não está em seu PC ainda precisará do conteúdo completo. Este é um ponto em que vamos nos diferenciar."

Colaboração de co-autoria é outro diferencial para a Microsoft, diz DelBene, notando que os participantes de uma sessão de edição online podem usar um software baseado na nuvem ou instalado no cliente. Ele levanta ainda questões de compliance regulatório. "Os clientes acreditam na Microsoft no que diz respeito ao desenvolvimento de ferramentas para gerenciar informação e tornar esse conteúdo seguro na mesma medida em que são cobrados por isso", acredita.

É difícil dizer o quão competitiva será a oferta online da Microsoft, já que a companhia ainda precisa detalhar sua política de preços e opões de pacote. Ainda há dúvidas também sobre o fato de clientes com ambientes híbridos olharem de forma favorável para combinações de licenças.

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