Microsoft compra divisão de dispositivos e serviços Nokia por 5,44 bi de euros
Empresas mantinham uma relação próxima. Expectativa é que negócio firme de vez a estratégia da fabricante do Windows no campo da mobilidade.
A Microsoft anunciou nesta terça-feira, 3, a aquisição da divisão de dispositivos e serviços da Nokia. Com a transação, a fabricante do Windows também garante licenças de patentes e uso dos serviços de mapas da fabricante finlandesa, em um negócio que soma 5,44 bilhões de euros pagos com dinheiro em caixa – divididos em 3,79 bilhões de euros para a compra da unidade e 1,65 bilhão de euros pelos registros de tecnologia.
Para financiar a transação, a Microsoft contará com suas reservas de caixa no exterior. A compra deve ser concluída no primeiro trimestre do ano que vem, após a aprovação dos acionistas da Nokia e outras medidas reguladoras de praxe.
A transação sucede uma parceria firmada em 2011 para a elaboração de smartphones da linha Lumia, os primeiros a serem equipados com o sistema Windows Phone. Enquanto para a norte-americana a compra visa acelerar o posicionamento no mercado de mobilidade, para a finlandesa o objetivo foi a consolidação da posição fiscal e assertivas nos ganhos.
“É um passo firme no futuro – um ganha-ganha para funcionários, acionistas e consumidores de ambas as empresas. Juntar esses times acelerará as ações e lucros da Microsoft em telefones, e reforçará as oportunidades tanto para a Microsoft quanto para seus parceiros em todas as famílias de dispositivos e serviços”, disse o CEO da fabricante do Windows, Steve Ballmer, em nota. A decisão provavelmente marcará o último grande passo do executivo à frente da companhia, já que ele anunciou sua aposentadoria daqui a 12 meses.
O corpo executivo da Nokia classificou a transação como um “importante momento de reinvenção” e de mencionou que “de uma posição de força financeira, podemos construir nosso próximo capítulo”. A fabricante, que já foi a líder no mercado de celulares, viu sua hegemonia cair paulatinamente após a chegada dos smartphones, perdendo mercado especialmente para a Apple e Samsung. Com a compra, o CEO da Nokia, Stephen Elop, deixa o cargo de liderança da empresa para se tornar vice-presidente executivo de dispositivos e serviços.
Os 32 mil funcionários da Nokia devem ser transferidos para a Microsoft, incluindo os trabalhadores de fábrica. As operações geram receita estimada de 14 bilhões de euros ao ano, ou quase 50% das vendas líquidas da Nokia quando considerados os números de 2012.
A Nokia também retém seu portfólio de patentes e garantirá à Microsoft licença de 10 anos para uso de suas tecnologias. Em contrapartida, a Microsoft dará à Nokia direitos recíprocos sobre suas patentes nos serviços HERE – com garantias de estender esse acordo mútuo indefinidamente.
Além disso, a Microsoft também aproveitou a ocasião para anunciar a Finlândia como sede de seu novo data center, que servirá aos consumidores europeus. Serão investidos mais de US$ 250 milhões em capital e operações nos próximos anos, com possibilidades de expansão ainda maior.
Rumores
Os rumores da compra sempre estiveram entre as especulações sobre o futuro das companhias, já que a Nokia viu sua posição de liderança ser tomada por concorrentes e a Microsoft é apontada por “perder o timing” da era da mobilidade. A parceria estabelecida pelas companhias – que dava a cessão do uso do sistema operacional da norte-americana nos aparelhos da finlandesa – não foi suficiente para projetar as empresas no topo do mercado.
Desde junho, conversas sobre as negociações chegaram novamente à mídia internacional, sendo publicadas em veículos como Fox Business e The Wall Street Journal. De lá para cá, a história eventualmente voltava à toda, até se consolidar com o anúncio feito nesta madrugada. As empresas irão falar em coletiva de imprensa na manhã de terça-feira (3/9), quando alguns outros detalhes devem ser revelados.
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