08/10/2012 | MACWORLD / EUA

Mesmo em alta, Apple precisa de 5 decisões vitais para continuar crescendo

Apesar da ótima posição no mercado, companhia precisa inovar para manter liderança nos tablets. Sala de estar e futuro dos Macs também são desafios

Ter um novo CEO tomando o lugar de um icônico cofundador parece não ter causado muita turbulência para a Apple. Na verdade, a empresa está mais forte do que jamais foi em sua história. Em seu trimestre fiscal mais recente, a companhia vendeu mais iPads do que nunca em um período de três meses; também registrou recordes no trimestre em vendas de Mac e iPad e viu os rendimentos trimestrais chegarem a 35 bilhões de dólares, aumento de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior. Resumindo, a Apple é atualmente a companhia mais valiosa do mundo em termos de capitalização de mercado.

Mas a Apple não alcançou esse lugar ao fazer sempre as mesmas coisas. Os executivos da empresa serão os primeiros a te dizer que manter o status quo não é a maneira para continuar no topo. A companhia vai continuar a enfrentar desafios e questionamentos no próximo ano, e suas respostas a eles determinarão se a Apple continuará a ter sucesso.

Como ficar no topo do mercado de tablets?

A Apple inventou o mercado de tablets modernos, e – por enquanto, pelo menos, ainda é líder absoluta. Apesar de rivais do iPad, como o Motorola Xoom e o RIM Playbook, terem indo e vindo como estações do ano, produtos mais recentes como o Kindle Fire HD e o Google Nexus 7 estão mordendo aos poucos a liderança até então inatingível da Apple.

O rumor constante, obviamente, é que a Apple vai lançar uma versão menor do iPad para competir mais diretamente com os cada vez mais populares tablets de 7 polegadas. Steve Jobs era contra os aparelhos com telas desse tamanho, tendo afirmado que o tamanho “não é o suficiente para criar ótimos apps para tablets”, e que tais tablets são “incompletos – muito grandes para competir com um smartphone, e muito pequenos para concorrer com o iPad.”

A Apple não lançaria um tablet menor a não ser que sentisse que as preocupações de Jobs não fossem mais motivo de preocupação. (Não é como se a Apple nunca tivesse mudado de ideia após um pronunciamento de Jobs. Apenas pergunte a qualquer pessoa que já teve um iPod que exibe vídeo, algo a qual o executivo se mostrava contra.) A especulação da vez sugere que o iPad menor teria, na verdade, uma tela com tamanho mais próximo de 8 polegadas em vez de 7, o que ajudaria.

Decidir lançar ou não um iPad menor não é a única escolha que a Apple precisa fazer. Como ela deve decidir o preço do tablet menor, especialmente quando você pode comprar um Kindle Fire por 150 dólares ou um Nexus 7 por 199 dólares? Lembre-se que o modelo de entrada do iPod Touch de 16GB já custa 199 dólares (nos EUA). A Apple nunca se sentiu obrigada a competir diretamente nos preços – até o lançamento do iPad, que chocou muitas pessoas com seu preço de entrada de 500 dólares. Para conseguir um preço competitio para o suposto iPad menor, a Apple pode ter de limitar seus recursos, espaço de armazenamento, ou velocidade do processador.

O que fazer sobre entretenimento digital?

A posição da Apple na indústria musical está assegurada neste momento. A companhia já vendeu bilhões de músicas desde a abertura da iTunes Store em 2003, e seus iPods dominam o mercado de tocadores portáteis há mais de uma década. Mas a próxima batalha é pela sala de estar.

A companhia vem tentando há anos surgir com um produto atraente para essa parte da casa, sem muito sucesso. Em 2006, Jobs anunciou a primeira versão da Apple TV – então chamada de iTV – que foi lançada apenas em 2007. Desde então, a Apple TV foi atualizada algumas vezes, mais notoriamente em 2010, quanto tornou-se um produto muito menor com foco no streaming de mídia e conexão com o resto do ecossistema da Apple.

Tanto Jobs quanto seu sucessor Tim Cook já disseram que a Apple TV ainda é um “hobby” - em outras palavras, algo não tão crucial para o sucesso da companhia como os aparelhos iOS ou os Macs. Mas esse hobby não deixa de ser surpreendentemente sério: em julho, Cook afirmou que o aparelho tinha registrado 4 milhões de unidades vendidas no ano fiscal, e que a companhia estava comprometida em continuar “puxando o fio para ver aonde ele nos leva”.

Mas a Apple TV como conhecemos pode ser apenas um prelúdio. Rumores sobre um aparelho completo de TV da Apple, completo com conteúdo via streaming, circulam há anos. Mas negociar com provedores e distribuidores de conteúdo existentes provou ser algo difícil; vendo o que aconteceu com suas correspondentes na indústira musical, essas empresas tem agido de forma decididamente desconfiada.

No momento, a boa notícia para a Apple na sala de estar é que nenhum dos seus rivais conseguiu muito espaço no local também. Mas a empresa não pode arcar ficar de fora daquele que é certamente um mercado disputado – e lucrativo.

Qual o futuro do Mac?

Uma coisa está clara: em curto prazo, pelo menos, o futuro dos notebooks da Apple parece ser próximo do MacBook Air. O novo MacBook Pro é a primeira linha da laptops de ponta da empresa a adotarem o design mais fino e leve do Air. Mas a mudança não foi uma surpresa: há muito a Apple sempre torna seus produtos mais e mais finos, leves e poderosos. As questões para os Macbooks Pro e Air são o quão finos eles podem ficar e quão acessíveis o discos de estado sólido (SSD) podem ficar.

A Apple também tem algumas decisões para tomar no lado dos desktops. O iMac não vê uma renovação física significativa desde 2007. O Mac Pro notoriamente só conseguiu atualizações menores há alguns meses, após uma parada de dois anos. O maior crescimento de vendas dos Macs está nos notebooks, mas é improvável que a empresa simplesmente esqueça o mercado de desktops por completo. A questão é se a Apple consegue criar novos hardwares atrativos que superem a evolução natural do produto.

Quanto o iOS e o OS X devem se misturar?

Com as últimas versões do iOS e do OS X, está ficando cada vez mais claro que os futuros desses sistemas estão intimamente entrelaçados. Nos últimos dez anos, mais ou menos, a Apple passou a ser uma empresa focada no seu ecossistema, em que todos os seus produtos trabalham juntos. Naturalmente, à medida que esse ecossistema evolui, a troca de ideias e recursos entre o iOS e o OS X aumentou. Você pode pensar que, com o tempo, eles eventualmente virariam a mesma coisa.

Mas esse não é necessariamente o caso. Em uma apresentação na conferência AllThingsD, em 2008, Jobs fez uma comparação que parece ter continuado amplamente verdadeira. Obviamente, há uma grande diferença entre o que os dois tipos de aparelhos podem fazer. Mas ainda existem momentos em que uma tarefa específica pede por um ou outro.

Por isso, não espere que a Apple faça nada radical como abandonar a plataforma Mac. Se serve de algo, o lançamento recente de dois grandes updates para o OS X mostra que o desenvolvimento para Mac está mais forte do que nunca. Pegar recursos emprestados do iOS é apenas um indicativo de que o veterano OS X tem algo a aprender com seu “irmão mais novo”.

E os serviços baseados na web?

Em comparação aos produtos de hardware e software da Apple, os serviços na web não são as ofertas mais fortes da companhia. O iCloud é a quarta geração do serviço online da companhia, seguindo o iTools, o .Mac, e o MobileMe. Se você está buscando por evidências de que Steve Jobs tinha falhas como um homem de negócio, esse é um bom lugar para começar.

Mas o foco maior sobre o iCloud no iOS 5 e no Mountain Lion tornaram o serviço essencial para a Apple, especialmente agora que a barreira do preço foi removida (pelo menos em alguns países). Isso significa que a Apple precisa consolidar o iCloud, tornando-o mais confiável e competitivo com as muitas alternativas disponíveis no mercado atual. E, o mais difícil de tudo, o iCloud precisa escapar do estigma deixado por seus antecessores.

O iCloud é, em sua forma mais básica, o cimento que segura o ecossistema da Apple junto, e uma parede é apenas tão boa quanto o que a deixa em pé. A Apple não pode arcar com erros como quedas de e-mail longas e não explicadas. Se as pessoas vão ficar longe de serviços como Dropbox ou Gmail, o iCloud precisa ser o mais sólido possível e oferecer recursos competitivos que os usuários não podem encontrar em nenhum outro lugar. A pergunta que fica é: a Apple consegue fornecer isso?

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