Google pode encerrar operações na China
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Após ciberataques contra 20 empresas e violação de contas Gmail de grupos de direitos humanos, companhia reavalia presença no país asiático.
O Google anunciou na terça-feira (13/01) que não aplicará mais filtragem em parte dos resultados de buscas do Google.cn, uma decisão que pode culminar também com o fim da presença do gigante das buscas na China.
A decisão do Google vem depois que a companhia detectou um ciberataque altamente sofisticado contra sua infraestrutura corporativa no mês passado, que resultou em violação da propriedade intelectual da empresa. O Google não revelou detalhes sobre essa invasão de dados.
David Drummond, vice-presidente sênior de desenvolvimento corporativo do Google e Chief Legal Officer da companhia, afirmou em post de blog que uma investigação interna da empresa revelou ainda que ao menos outras 20 grandes companhias também foram atacadas.
"Temos evidência para sugerir que o objetivo inicial desses hackers era acessar as contas Gmail de ativistas de direitos humanos chineses", informou Drummond. "Baseado em nossa investigação, acreditamos que o objetivo não foi atingido. Apenas duas contas parecem ter sido acessadas e a atividade esteve limitada às informações da conta, como data de criação."
Como resultado da investigação, Drummond afirmou que o Google também descobriu que "as contas de dezenas de usuários Gmail baseados nos Estados Unidos, China e Europa, que trabalham por direitos humanos na China, parecem ser acessadas rotineiramente por terceiros." Ele enfatizou que isso não foi causado por uma falha de segurança do Google. Ao que tudo indica, esses usuários tiveram suas senhas rastreadas por phishing ou algum malware em seus computadores.
Ainda como consequência dos ataques, o Google informou que não continuará com a aplicação de um filtro censor no Google.cn, como solicitado pelo governo chinês.
"Esses ataques, bem como a proporção de eles tomaram, combinada com os discursos de uma internet mais livre liderados no último ano, nos faz concluir que devemos reavaliar nossas operações na China", afirmou Drummond. "Decidimos não continuar com o filtro nos resultados de busca do Google.cn e nas próximas semanas discutiremos essa questão com o governo chinês para propor uma operação sem o filtro em nossa ferramenta de busca. Reconhecemos que isso pode nos levar a encerrar o Google.cn e fechar nossos escritórios na China."
Financeiramente, a receita do Google advinda da China não representa algo muito grande no faturamento global da companhia.
A decisão do Google foi imediatamente comemorada pelos grupos de direitos humanos, muitos dos quais questionaram a decisão da companhia em 2006 de cooperador com os censores chineses.
"O Google está dando um passo difícil em direção à liberdade na internet e para suportar os direitos humanos fundamentais", comentou Leslie Harris, presidente do Center for Democracy & Technology. "Nenhuma companhia deve ser forçada a operar sob a censura de um governo. Apoiamos o Google nesse difícil processo."
"Trata-se de uma grande passo que o Google está dando para tornar público esse tipo de ciberataque", avisa Sharon Hom, diretora-executiva da Human Rights na China. Esse tipo de ataque, afirmou Sharon, não é algo novo para entidades de direitos humanos e organizações não-governamentais, que há muito tempo são alvos de phishing, malware e outros tipos de ataques.
Sharon acredita ainda que a reação da China à decisão do Google levará um forte mensagem à comunidade empresarial sobre suas futuras intenções nos países asiáticos.
O presidente do grupo Enterprise do Google, Dave Girouard, afirmou, em post de blog separado, que esses ataques não devem reduzir a confiança depositada até agora na segurança do modelo cloud computing.
"No Google, temos investido massivamente tempo e dinheiro em segurança", informou. "Nada é mais importante para nós. Nossa resposta a esse ataque mostra que estamos dedicados à proteção de nossos negócios e usuários. E falamos isso porque estamos comprometidos com transparência."
