Falta maturidade à computação em nuvem, dizem consultorias
Rodrigo Caetano - Computerworld
Para IDC e Gartner, os fornecedores ainda estão definindo modelos de negócios. Estágio de adoção, no entanto, é crítico para o mercado.
Falta maturidade ao mercado de computação em nuvem, modelo de entrega de tecnologia em que a infraestrutura não fica no cliente, mas sim no fornecedor. Segundo as duas principais consultorias globais especializadas em tecnologia da informação, Gartner e IDC, o conceito ainda é muito novo e as ofertas, mesmo considerando as de grandes empresas, como a Microsoft, carecem de definições claras sobre os modelos de negócios.
Na semana passada, a Microsoft divulgou alguns preços do Windows Azure, seu sistema operacional para computação em nuvem. Para Reinaldo Roveri, gerente de pesquisas da consultoria IDC, é cedo para avaliar os valores oferecidos pela companhia. Isso porque tanto o conceito quanto a tecnologia são recentes e estão passando pelo ciclo de maturação que toda tecnologia experimenta.
De acordo com estudo realizado pela IDC, nos próximos três anos, a computação em nuvem deve sair da categoria “early adopters” para a “early majority” no ciclo de adoção de tecnologias desenvolvido pela consultoria.
Composto de cinco categorias definidas de acordo com o porcentual de empresas que adotam o conceito — innovators, early adopters, early majority, late majority e laggards - a classificação é usada para medir a maturidade de conceitos e de novas tecnologias. Atualmente, a computação em nuvem está saindo de uma adoção de 15% a 25%, para 25% a 45%.
O atual estágio de maturidade da computação em nuvem, segundo o estudo, é crítico para os fornecedores, que devem procurar desenvolver ofertas sólidas no setor e buscar uma posição de liderança no mercado. As empresas que falharem nesta tarefa vão perder espaço nessa disputa.
A Microsoft, com o Azure, tenta fazer exatamente isso. A principal briga da companhia é com a VMware, que fornece software para virtualização de servidores e a plataforma VSphere. Para Roveri, do modo como o Azure foi apresentado, a Microsoft está apostando no conceito de software mais serviços, no qual a empresa continua a vender no modelo tradicional, agregando serviços. O plano difere da oferta de software como serviço (SaaS), forma de comercialização na qual o cliente paga uma taxa mensal, ou conforme a demanda, para usar o sistema.
“A Microsoft é uma empresa de software e daí que vem grande parte da sua receita e margem”, afirma o consultor. “Ela dificilmente desvinculará o software do serviço, mas, por essa estratégia, a fatia reconhecida como serviço tende a crescer no seu faturamento”.
Para o Gartner, a computação em nuvem está inserida em outro conceito, o de modelos alternativos de entrega e aquisição de tecnologia (Alternative Delivery and Aquisition Models, da sigla em inglês Adam). Segundo Cássio Dreyfuss, vice-presidente de pesquisas da consultoria, a maioria dos fornecedores caminha nesta direção. Mas ainda existem poucas ofertas realmente maduras disponíveis no mercado.
A classificação Adam se aplica a modelos de comercialização de tecnologia que tenham as seguintes características: engloba hardware, software e serviços na mesma oferta; a tecnologia não fica instalada no cliente; e o serviço é pago de acordo com o consumo. “Os provedores ainda estão definindo o modelo de negócios. A ideia é ter um preço baixo, para ganhar na escala. O problema é que não há escala no momento”, afirma Dreyfyss.
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