Empresa de TI mira exterior para crescer
Em meio à crise política e uma expectativa de retração de mais de 3% da economia brasileira este ano, o empresário Marco Stefanini estima que sua empresa, a Stefanini, de serviços de Tecnologia da Informação, vá crescer 15%. Seu faturamento no ano passado chegou a R$ 2,6 bilhões.
Para crescer, nos últimos anos, o empresário adotou um plano estratégico bem definido: comprar empresas no exterior que atuam no mesmo ramo. Este ano já comprou uma na Colômbia e está prospectando novos negócios, inclusive na Argentina, onde o humor com a economia mudou com a troca de governo. Já está em 39 países e, hoje, 55% de seu faturamento vem do exterior.
No Brasil, o crescimento é orgânico, mas também é obtido como uma série de aquisições de empresas que complementam o portfólio de produtos que a Stefanini oferece. No mês passado, a empresa fez nova fusão no país com uma empresa ligada à gigante IBM.
- No exterior, corro o risco de operar em outro país. Por isso, só compro empresas que têm a mesma atividade que a nossa. E aqui no Brasil, onde há muita competitividade em TI, a estratégia é ampliar a oferta de produtos. Na Europa, cresci 20% nos últimos anos e nos EUA estou crescendo a uma taxa entre 7% e 9% - disse o empresário.
Antes da crise, a média de crescimento da empresa no Brasil era de 20%, segundo ele. Mas a retração da economia também teve efeito negativo sobre a companhia e a Stefanini teve de se adaptar, cortando custos ou automatizando alguns processos.
O empresário avalia que, envolto numa de suas maiores crises, o governo está se focando nos problemas políticos que o desgastam e deixando a economia em segundo plano, pelo menos a curto prazo.
- O modelo de estímulo da economia via consumo se esgotou. Claro que temos um mercado consumidor enorme, mas este é um samba de uma nota só - diz o empresário, que é um dos integrantes do Conselhão, grupo formado por emprésários e representantes de diversos setores da economia para dar sugestões ao governo.
Stefanini acredita que o país precisa ser mais competitivo no campo fiscal e na logística. Ele lembra que o Brasil tem carga tributária maior que Colômbia e México. E que o Estado deve se focar em áreas prioritárias, como saúde e educação.
- É preciso retomar o investimento privado, enquanto o governo se foca em áreas essenciais. Como numa empresa, Brasília precisa mostrar ao mercado e aos empresários que tem um plano estratégico de longo prazo - observa Stefanini.
Para ele, que no ano passado em lugar de demitir aumentou seu quadro de funcionários em 10%, chegando a 21 mil trabalhadores (12 mil no Brasil e nove mil no exterior), o Brasil precisa se tornar mais competitivo e ganhar maior inserção na cadeia global.
- O câmbio ajuda o país a ter mais competitividade. Mas isso é temporário, já que a inflação tende a comer esse ganho em poucos anos - diz ele.
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