Em visita ao Brasil, Michael Dell aponta estratégias da fabricante na oferta de serviços
Segundo CEO, dentro do BRIC, mercado brasileiro é menor que o da China e maior que o da Índia e Rússia.
Dois dias após o anúncio de que a compra da Perot Systems estava concluída, Michael Dell está reunido com uma dezena de jornalistas brasileiros em uma sala do hotel Hyatt, em São Paulo (SP). A visita, entre outras coisas, celebra a primeira década de operação nacional da fabricante de computadores.
Quando olha para o Brasil, o CEO afirma não ver muitos países similares no mundo. "Dentro do BRIC, vemos que é menor do que a China e maior que Índia e Rússia", avalia o potencial nacional, para completar: "é uma economia forte e sólida que tem tudo para ser o quarto maior mercado de TI do mundo em 2015", anima-se.
Na ocasião, o executivo destacou a importância da aquisição na área de serviços, que eleva para algo em torno de US$ 8 bilhões o faturamento desse tipo de oferta na companhia.
Aliás, nos últimos meses, tradicionais provedores de hardware buscam espaço em um movimento que sugere um possível rearranjo do mercado de TI, que ganhou intensidade com a compra da EDS pela HP.
O fundador da Dell revela que essa corrida para agregar oferta de serviços ao portfólio origina-se de uma tendência verificada no mercado. "Os clientes nos disseram que não era suficiente ter apenas produtos", revela, para sentenciar: "era preciso prover soluções".
De fato, a companhia norte-americana que entra para a operação da Dell introduz novo fôlego à divisão de serviços agregando capacidade de desenvolvimento de aplicações e soluções de business process outsourcing (BPO).
Aos poucos, a Perot começará a se embrenhar nas operações da companhia ao redor do mundo. Nos bastidores do encontro, um executivo nacional aponta que o processo de acomodação já encontra-se em curso no Brasil.
Dell não descarta novos movimentos de crescimento inorgânico para suportar suas ambições futuras na área de serviços. "O crescimento de nosso negócio depende de investimentos", avisa o executivo, recordando que a fabricante comprou 10 empresas nos últimos anos.
- Dellphone
"Temos planos de participar desse mercado", comenta Michael Dell, sobre a possibilidade de a fabricante produzir dispositivos móveis. "Acredito que, nos próximos cinco anos, muitas pessoas não terão mais dumbphones de hoje", diz.
Em agosto, depois de pelo menos três anos de muita especulação, a fabricante revelou que trabalhava em um dispositivo móvel para a China Mobile.
De acordo com o executivo, outras operadoras ao redor do mundo, inclusive no Brasil, devem seguir o exemplo da asiática.
Recentemente, o norte-americano Wall Street Journal confirmou planos da companhia em virar fornecedora de telefones móveis em um movimento que pode contar com apoio da AT&T.
- TI educacional
A vinda do fundador da Dell ao Brasil foi aproveitada para divulgar ações da companhia na área de educação. A empresa estabeleceu parceria com o Estado de São Paulo para implantar uma solução em 32 salas, de 26 escolas públicas de Hortolândia (SP).
Segundo a companhia, a iniciativa batizada de Sala de Aula Conectada beneficiará seis mil alunos e 110 professores. A ferramenta contempla lousa interativa, conexão sem fio, projetor e computadores. A próxima fase prevê netbooks aos alunos. As máquinas serão montadas nas linhas da companhia no interior paulista.
Até o momento, a tecnologia destina-se a aulas de português e matemática para estudantes da 5ª série do ensino fundamental e primeiro ano do ensino médio.
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