Carreira: empresas tentam qualificar talentos em ERP
SAP e Oracle investem em iniciativas sociais para diminuir déficit de profissionais no País.
Treinamento e educação para os usuários dos sistemas de gestão empresarial também costumam ser uma oportunidade de negócio bastante rentável para os fabricantes desses software. Afinal, sistemas considerados tão complexos exigem qualificação e certificação para uma operação satisfatória, tornando assim necessário que as empresas (ou mesmo pessoas físicas) busquem junto às desenvolvedoras programas de qualificação.
Mas essa relação não é plenamente equilibrada, e os especialistas são quase unânimes em afirmar que falta mão de obra qualificada para projetar, implantar e operar os cada vez mais comuns sistemas corporativos nas empresas. Problema ainda mais grave em regiões do Brasil que crescem a passos largos, como Nordeste e Centro Oeste, e que embora passem a consumir esse tipo de solução com mais voracidade, também se deparam com a indisponibilidade de pessoal, muitas vezes importado do Sudeste a preços muito altos.
Para tentar resolver o problema, que afeta em diferentes proporções todas as regiões do País, os fabricantes também apostam em parcerias com universidades e outras instituições de ensino superior para encorajar estudantes, principalmente na área de ciências exatas, a se qualificarem antes do ingresso no mercado de trabalho. A Oracle, por exemplo, através do seu braço educacional Oracle University, desenvolve e oferece não só cursos voltados ao trato com suas tecnologias, mas também firma parcerias com instituições de ensino e empresas.
A SAP, outra gigante do setor de ERP, possui o University Alliance, programa de parceria com universidades em que a empresa apresenta suas ferramentas nos cursos de graduação buscando estimular a entrada dos alunos nesse universo.
Iniciativas
Para a presidente do Grupo de Usuários de SAP (ASUG) do Brasil, Sandra Marlene Heck, a falta de mão de obra ocorre principalmente por causa da alta especialização, e também porque o mercado cresce acima do PIB. Porém, a qualificação em ERP – além de outros produtos como BI e analytics, que cada vez mais se relacionam com os sistemas de gestão – representa uma das demandas mais altas.
“Acho que não tem um único fator. São vários. O principal, sem dúvida, é a própria formação”, diz Sandra. “Percebemos dentro das universidades uma evasão muito grande de profissionais. Também tem a própria preparação dos formados, que é deficitária. Pensamos em promover algum movimento para motivar os jovens a aderir essa área.”
Outra iniciativa da ASUG Brasil, em conjunto com a própria SAP, e que vem ganhando destaque no que se refere a formação de mão de obra, é o Instituto EsperanSAP. Criado com o objetivo de formar profissionais para as ferramentas da fabricante alemã, ele também tem um componente de responsabilidade social, pois oferece as Academias SAP para pessoas de baixa renda, de forma a trazer desempregados e pessoas carentes de volta ao mercado de trabalho.
“Foi a falta de profissionais que nos levou a fazer alguma coisa em educação, para que comece a mudar aos poucos esse cenário e também para que o custo dessa mão de obra abaixe, pois ela está ficando cada dia mais cara no mundo SAP”, explica o presidente do Instituto EsperanSAP, Marcos Pasin.
A instituição oferece formação em módulos tradicionais de forma gratuita, e ao final do curso o aluno faz a prova de certificação. Empresas, parceiros e a própria SAP sustentam a iniciativa por meio de doações financeiras ou de outros recursos, incluindo salas de aula.
Segundo Pasin, a demanda é enorme, principalmente nos cursos oferecidos fora de grandes centros do Sudeste. As turmas de 24 alunos já chegaram a registrar mais de 2 mil inscrições online, com média de 1 mil a 1,5 mil inscritos por turma. “Hoje o Instituto está próximo de 30 mil pessoas aguardando oportunidade para fazer uma academia”, explica Pasin.
Foram formados pelo EsperanSAP mais de 700 pessoas, sendo que 65% foram colocados no mercado no trabalho. Em 2013 a pretensão é oferecer 40 academias no País, a maior parte fora do eixo Rio-São Paulo. Serão 960 profissionais formados, inclusive em módulos até então não oferecidos, como o Business One, ferramenta voltada a pequenas e médias empresas.
Custos
Para Pasin, o custo da mão de obra qualificada para operar ferramentas de gestão empresarial no Brasil é realmente muito alto e, embora a inovação e as soluções lançadas no mercado sejam boas para as empresas, algumas delas desistem de investir pela falta de funcionários capacitados. No caso da SAP a questão é mais grave, pois outras tecnologias do mercado costumam ser menos complexas e custosas.
E o resultado disso é que o déficit no Brasil aumenta cada vez mais. Quanto mais a SAP vende maior é o déficit de profissionais no mercado. É a lei da oferta e da procura”, diz Sandra, da ASUG. Ela completa: “realmente estamos em um momento de carência destes profissionais e, com a demanda e a necessidade das empresas, além do crescimento do próprio Brasil, há uma tendência de custo maior”.
*Reportagem publicada na edição impressa da Revista Computerworld de abril/2013
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