Briga entre funcionários fecha fábrica da Foxconn na China
Cerca de 2 mil empregados se envolverem em um confronto neste domingo (23/9). Empresa diz que motivo foi conflito pessoal entre trabalhadores.
A Foxconn, grupo que monta produtos para companhias de tecnologia incluindo a Apple, disse que um "incidente" envolvendo 2 mil funcionários eclodiu na noite de domingo (23/9) na China. Fotos publicadas na web mostraram carros virados e janelas quebradas indicando o que parecia ser uma revolta em massa.
A Foxconn afirmou que o incidente não parece estar relacionado ao trabalho executado na fábrica. Em comunicado, a companhia de Taiwan relatou que o primeiro incidente começou como uma "disputa pessoal" dentro dos dormitórios e depois partiu para áreas externas próximas às fábricas da Foxconn na cidade chinesa de Taiyuan. A polícia chegou ao local e controlou a situação por volta das 3h de segunda-feira (24/9).
"Segundo a polícia, cerca de 40 pessoas foram levadas para o hospital para atendimento médico e um grupo de indivíduos foi preso", disse a Foxconn. A empresa acrescentou que a causa da disputa ainda está sob investigação, mas que não parecia estar "relacionada com o trabalho", sem oferecer detalhes.
Mensagens de usuários em um microblog chinês chamou o incidente de um motim, com vídeo e fotos mostrando centenas de funcionários da Foxconn. A Foxconn, que emprega 79 mil pessoas, fechou as fábricas hoje, disse o porta-voz Simon Hsing, mas pode reabrir amanhã (25/9), dependendo do progresso feito no inquérito policial.
Enquanto a Foxconn disse que o incidente surgiu a partir de uma disputa pessoal entre os trabalhadores, especialistas em proteção ao trabalho observaram relatórios de internautas chineses que diziam que vários trabalhadores da Foxconn haviam sido espancados por agentes de segurança na noite de domingo, o que mais tarde teria levado ao motim.
Kalen Hua, coordenador da China Labor Research Center, observou que incidentes violentos com seguranças e funcionários da Foxconn também ocorreram em outras fábricas da empresa em Shenzhen, Tianjin, Wuhan e Zhengzhou.
Debby Chan, oficial do projeto Students and Scholars Against Corporate Misbehavior (SACOM), lembrou de uma revolta dos trabalhadores nas instalações da Foxconn em janeiro de 2011 em Chengdu, na China. Na ocaisão, a empresa disse que foi uma disputa pessoal entre dois grupos de funcionários.
Uma investigação da SACOM, no entanto, descobriu que a agitação ocorreu por causa de salários não pagos aos trabalhadores. "A transparência na Foxconn é baixa. E a empresa é notória em encobrir o escândalo", disse Debby em um e-mail.
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