30/12/2011 | Martha Funke, especial para a CRN Brasil

Brasil, sinônimo de prosperidade

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Em um ano pródigo em desastres naturais, com tsunamis e terremotos violentos, o mês abre com mais um cataclisma afetando drasticamente os negócios no setor de tecnologia. Dessa vez, são as enchentes na Tailândia, onde se concentra a produção de discos rígidos de fabricantes como Seagate, Toshiba e Western Digital – as duas últimas fecharam temporariamente suas plantas no país. Somadas, Seagate e WD respondem por mais de 75% do mercado mundial e quase 60% dos HDs da WD são fabricados naquele país. Além do aumento de preço, a perspectiva de encolhimento de 25% na oferta mundial de discos rígidos em 2012 deixou fabricantes e consumidores de cabelo em pé, afetando a produção de notebooks e desktops para atendimento da demanda nos três primeiros meses do ano – principalmente no Brasil, um dos últimos na fila do fornecimento.

Entretanto, como as estimativas do Gartner para gastos de TI e Telecom no País alcançam 144 bilhões de dólares em 2012 e o ritmo de expansão do mercado por aqui só foi superado pela China e pela Índia, o Brasil se mantém na mira de investimentos mundiais. De acordo com o instituto, só no setor corporativo serão gastos 65 bilhões de dólares, graças à indústria local em alta no momento em que a recessão assola os mercados centrais. O setor financeiro, por exemplo, deve despender quase 10 bilhões de dólares, 8,8% mais que em 2011, e espera-se enorme impulso do segmento de comunicação e mídia, que deve se expandir 9,1% ao ano até 2015 com o impulso dos eventos mundiais.

Entre as que colocam mais foco no Brasil estão IBM, Cisco e CA. A Big Blue, em 2011, completou 100 anos e viu seu valor de mercado, 214 bilhões de dólares, ultrapassar o da Microsoft, 213,2 bilhões de dólares, pela primeira vez desde 1996 (a Apple continua na frente, com 362 bilhões de dólares, o que pode indicar que o setor de TI está deixando a área de computadores pessoais em segundo plano, voltando o foco para outras plataformas, como smartphones, tablets e na computação em nuvem). Colocando o Brasil na roda de seus grandes eventos mundiais, a gigante azul traz para cá sua próxima CEO, Virginia Rometty, para discutir cidades digitais, um de seus principais objetivos estratégicos atualmente.

A América Latina – Brasil à frente – está na mira da CA e da Cisco. A CA anuncia sua nova estrutura mundial de canais, que entra em operação a partir de 2012, e aposta em características e benefícios específicos para cada tipo de parceiro, além do fortalecimento de capacitação técnica e comercial. A empresa indica que o continente serviu como referência para parte das transformações, levando às práticas globais modelos já adotados regionalmente. A Cisco, por sua vez, insere a região em sua unidade Américas, o que rende escalabilidade, com maior disponibilidade de recursos e conhecimentos para apoiar as equipes, os canais e os clientes locais. Até a rede varejista norte-americana Best Buy mira o mercado e, por meio de joint venture com a Carphone e a Five Star, avalia a chegada via parceiras locais.

Outro movimento marcante é apontado pela KPMG: o das consolidações (fusões e aquisições). O mercado brasileiro bate novo recorde nesta área. Foram 606 operações entre janeiro e setembro de 2011, 14% mais que no mesmo período do ano passado; 66 delas envolvendo o setor de TI, normalmente líder da lista – neste mercado, onde há grande necessidade de capital de giro, o que leva uma empresa a buscar este movimento é a necessidade de capital para investir em desenvolvimento ou conseguir maior escala.

Um dos exemplos é o da Prime Technologies. Depois de trocar a postura de integradora pela de VAD de automação e ver o faturamento saltar de 38 para 100 milhões de reais em dois anos, compra a Interway, nascida em 2001. O movimento trará à nova Prime Interway faturamento superior a 200 milhões de reais ainda em 2011. havia apenas 1% de intersecção dos negócios com canais das duas companhias, o que facilita a integração dos sistemas de ofertas. “Pescávamos em lagos diferentes. Vamos continuar fazendo isso, cada um em sua área de expertise, mas aos poucos vamos integrar tudo”, afirmou o CEO da Prime Interway, Henrique Castro, até então presidente da Prime. Com a união, as empresas passam a ter mais de um mil canais ativos.

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