28/06/2013 | Luiz Augusto Lima - Especial para a CRN Brasil

Autocom comemora crescimento do setor, mas mantém cautela

Crescimento da inflação acende sinal amarelo. Afrac também estuda criar unidade para auxiliar empresas que estejam em processo de fusão.

Otimismo quanto ao futuro, mas de olhos bem atentos em relação às movimentações da economia e às decisões do governo. De modo geral, este foi o tom demonstrado por empresários e executivos do setor de automação comercial durante a 15ª edição da Autocom, realizada entre os dias 25 e 27 deste mês, em São Paulo.

O otimismo, traduzido na manutenção da expectativa de crescimento de 7 a 8% para o setor em 2013, justifica-se por conta da forte demanda de produtos e serviços e das inovações tecnológicas exigidas pelo mercado. Vale lembrar que o setor da automação comercial movimentou ano passado 2,7 bilhões de reais.

“Estamos atentos às inovações e à mobilidade cada vez maior do consumidor final. Há uma demanda reprimida por conta dessas transformações, e isso nos faz ter otimismo quanto ao desempenho do setor em 2013”, explica Araquen Pagotto, presidente da Afrac (Associação Brasileira de Automação Comercial), organizadora da Autocom, citando ainda os grandes eventos que o País começa a receber como outros fatores positivos.

Já a atenção, é claro, fica por conta do desempenho fraco da economia brasileira no último ano e do recrudescimento da inflação. “Esses dados macroeconômicos agridem nosso segmento, precisamos cobrar cada vez mais uma postura clara do governo, já que não temos o desempenho que realmente gostaríamos”, prossegue Pagotto.

Ao chegar à sua 15ª edição, a Autocom aposta ainda numa maior aproximação com o setor varejista. Entre os congressos organizados paralelamente à feira, no Expo Center Norte, muitos foram dedicados a atender necessidades do varejo. Destaque para um painel sobre mudanças no controle fiscal e a emissão de cupons fiscais e nota fiscal eletrônica.

Atenção especial às fusões

Araquen Pagotto disse também que a Afrac acompanha com atenção as fusões entre empresas do setor, como a ocorrida recentemente entre Itautec e a japonesa OKI. Porém, garantiu não ver viés negativo nesta movimentação.

“Acredito que seja um movimento inevitável, que vai acontecer cada vez mais, em especial entre empresas pequenas”, analisou. “Vejo a fusão como algo positivo, importante. Bem melhor assistir a uma fusão do que ao fechamento de uma empresa.”

Segundo o executivo, a Afrac estuda criar um segmento destinado exclusivamente ao auxílio de empresas em processo de fusão. “Precisamos ajudar o nosso mercado.”

Revendas mais antenadas

“Players” fundamentais para o bom desempenho do setor, as revendas devem ficar cada vez mais atentas às rápidas mudanças tecnológicas. É o que sugere Araquen Pagotto.

“Antes você tinha hardware e software bem separados. Agora você tem um conjunto, a mobilidade de um iPhone ou Android. O futuro é enxergar isso”, disse. “Tem de saber prestar serviços para hardware e software. A nuvem vai ficar cada vez mais nuvem, em especial com o micro negócio. Quem entender isso vai ganhar muito dinheiro.”

O presidente da Afrac volta a mencionar o governo ao falar sobre mudanças esperadas pelo setor para os próximos anos, em especial na questão tributária. “Precisamos saber para onde vamos, que rumo tomar. O aspecto tributário é muito importante. Temos revendas perdidas neste aspecto, pagando bitributação ao fazer negócios interestaduais. Isso tem de mudar.”

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