3G, 4G ou WiMAX: como encarar a banda larga móvel
A mobilidade está se tornando cada vez mais disseminada, e em breve o gestor de TI terá que estudar uma política de conectividade sem fio
Finalmente, a TI poderá fornecer uma cobertura de banda larga móvel confiável para os funcionários que trabalham muito fora do escritório, graças às redes sem fio 3G que já estão disponíveis globalmente. Mas não se sinta à vontade demais – pois atualmente, já se fala da quarta geração.
A dinâmica do mercado está se modificando, à medida que novos participantes como o Google começam a trabalhar com padrões abertos e a desenvolver planos ambiciosos para participarem do mercado de comunicações sem fio. As operadoras do mundo todo estão anunciando compatibilidade com WiMAX, e existe uma crescente previsão pelos fabricantes no sentido de que a banda larga móvel será uma fonte de enormes rendimentos novos, a partir de diversos aplicativos, tanto aqueles orientados aos consumidores quanto os voltados ao setor corporativo.
Contudo, antes de assinar um contrato com qualquer operadora, previna-se. Primeiramente, não existe um acordo oficial sobre as exigências técnicas referentes à tecnologia 4G, por isso, atualmente, nenhuma tecnologia sem fio pode afirmar que é classificada como tal. Em vez disso, a indústria se refere às “plataformas 4G” com base em sua capacidade de atender aos requisitos – por exemplo, taxas de transmissão extremamente altas, com picos de até 1 Gbps, com freqüência de até 100 MHz.
Como esperado em relação à evolução das tecnologias, a maioria dos países desenvolvidos atualmente tem redes 3G, com UMTS (Universal Mobile Telecommunications Systems) desfrutando de uma ampla liderança sobre a EV-DO. O UMTS é comum em todas as Américas, na Europa e na Ásia, enquanto a EV-DO também está disponível nas Américas e na Ásia, além de do leste europeu. Nos países com elevadas densidades populacionais, não é incomum que a tecnologia 3G esteja disponível em toda a área na qual a cobertura de celulares está disponível, mas nos Estados Unidos, essa tecnologia favorece as regiões urbanas. E embora a China tenha concedido licenças para o uso da 3G, até o momento, a implementação permanece limitada à experimentação.
Um comentário sobre WiMAX: existem relativamente poucas redes com a tecnologia hoje em dia, e muitas delas são fixas. Nos Estados Unidos, a Clearwire opera uma rede que fará a transição para WiMAX, mas sua conta de assinantes é modesta. A maior esperança para uma oferta ampla está na Sprint Nextel. Se ela realizar a implementação em âmbito nacional nos Estados Unidos, neste ano, o serviço poderá ser uma alternativa atrativa, especialmente se ela fornecer as velocidades que havia prometido, que são de duas a quatro vezes mais rápidas do que os atuais serviços de dados em celulares.
Todavia, embora as redes 3G estejam ficando mais rápidas, as distâncias percorridas variam, sendo assim, o ideal é que você faça seus próprios testes.
A mobilidade está se tornando cada vez mais disseminada, e em breve o gestor de TI terá que estudar uma política de conectividade sem fio
Apesar de que o rendimento das operadoras de celulares obtido a partir de planos de dados permanecer relativamente baixo – menos de 20%, mesmo incluindo os lucrativos serviços de transmissão de mensagens de texto –, a taxa de crescimento esperada, ano a ano, é grande. Os principais fatores positivos são as quantidades de tráfego muito maiores, em média, perto de 1 Mbps em muitas redes; a pequena latência, de cerca de 100 milissegundos; a disponibilidade nas áreas metropolitanas mais importantes; as diversas opções de dispositivos, incluindo smartphones, modems PC Card e as opções embutidas para laptops; os preços com baixas taxas de juros; e uma crescente seleção de aplicativos e middleware móveis.
Os obstáculos incluem preços relativamente altos, de até US$ 60 por mês para planos de dados ilimitados para laptops, e de US$ 20 a US$ 40 para smartphones; a confusão gerada pelo elevado número de operadoras e as opções de tecnologia em rápida evolução, que atualmente incluem WiMAX; e o fato de que os melhores aplicativos sem fios são aqueles especialmente projetados para esse meio.
As operadoras reconhecem que os preços menores permitirão um uso cada vez maior, mas é exatamente isso que elas gostariam de evitar: as redes 3G têm capacidade relativamente limitada, por isso as operadoras estão mantendo os preços em um nível que limita o volume do tráfego. Não se espera significativas reduções de custos nos próximos anos.
Outro desafio para as operadoras: o mercado de banda larga tem se tornado um alvo móvel. Cerca de cinco a dez anos atrás, um serviço de dados sem fio com capacidade de 1 Mbps teria sido mais bem-vindo. Mas com os serviços cabeados atuais apresentando velocidades cinco a dez vezes maiores do que os wireless, e com as taxas de transmissão prometendo velocidade de 100 Mbps na rede doméstica com fibra óptica, as taxas de dados sem fios continuarão a parecer lentas, em comparação. Isso não deverá afetar a maioria dos aplicativos corporativos, para os quais cerca de 1 Mbps é mais do que suficiente. No entanto, muitos aplicativos em redes sem fio 3G se mostrarão mais lentos para os usuários do que as LANs (redes locais) de alta velocidade.
BOAS PREVISÕES DE LONGO PRAZO
Em longo prazo, estamos otimistas quanto à banda larga móvel para o mercado corporativo e também para o consumidor final, apesar de a adoção ter sido relativamente lenta até o momento. Com a internet e as companhias de mídia cada vez mais se dirigindo ao mercado móvel, e com a intensa pressão para que se abram as redes das operadoras para mais dispositivos e aplicativos, estamos visualizando um grande futuro – mas esse futuro exigirá muito trabalho para as operadoras e os respectivos grupos de TI.
Embora a maioria das organizações tenha projetos para suas redes corporativas que incluem políticas e gerenciamento de segurança abrangentes, não se pode dizer o mesmo sobre suas implementações sem fio em redes remotas, as quais, continuam sendo relativamente improvisadas.
Em uma pesquisa realizada com os leitores da InformationWeek EUA no terceiro trimestre de 2007, aproximadamente 70% dos respondentes relataram que estão utilizando aplicativos móveis ou sem fio, mas somente 18% disseram que esta iniciativa é abrangente em suas organizações. A maior parte da utilização, 40%, se referiu a uma adoção tática isolada, talvez, por causa dos preços: 65% dos respondentes afirmaram que os planos de utilização, atualmente ilimitados, são caros demais.
A mobilidade está se tornando cada vez mais disseminada, e em breve o gestor de TI terá que estudar uma política de conectividade sem fio
Mesmo que as redes atuais estejam atendendo às expectativas, pouco mais da metade disse que sim, com a média solicitando taxas de transmissão de 2 Mbps ou mais. Também é importante compreender quais plataformas as companhias estão utilizando. A pesquisa mostra que cerca de metade das implementações atuais são feitas em laptops; um quarto, em handhelds, e o restante, em uma combinação dos dois. Os e-mails continuam sendo os recursos dominantes, como acontece há anos, e são seguidos pelo acesso à internet com propósitos gerais, pelo uso de mensagens instantâneas (o que foi uma surpresa), por aplicativos web hospedados nas empresas, pelos serviços de campo, pelo CRM e por entregas.
No mundo da tecnologia 3G, nem a HSPA (da AT&T e T-Mobile) nem a EV-DO (da Sprint, Verizon) têm uma vantagem clara uma relação à outra; na verdade, as operadoras mencionam idênticas capacidades de resultados. Todavia, existem diferenças. Por exemplo, a interação UMTS/HSPA possibilita sessões simultâneas de voz e dados, ao passo que a EV-DO não permite. Mas a partir da perspectiva de um resultado bruto, não existe uma variação significativa.
Conclusão, a tecnologia sem fio está se tornando disseminada, especialmente, para comunicações de voz, mas os dados sem fios ainda têm um longo caminho a percorrer antes de se tornarem um componente essencial da infra-estrutura de rede da maioria das companhias. No entanto, apesar dos desafios que são inerentes à implementação de uma política abrangente de computação móvel, não se pode detectar nenhum grande empecilho que possa impedir a contínua adoção em nível corporativo, à medida que um crescente número de aplicativos são fornecidos com extensões de mobilidade “prontas para uso” ou irão funcionar por meio de sistemas móveis de middleware facilitados por desenvolvimentos de web services.
As companhias que forem capazes de integrar a tecnologia sem fio estrategicamente para funções de trabalho importantes provavelmente obterão uma vantagem competitiva por meio de maior capacidade de resposta e melhor eficiência.
* Peter Rysavy é presidente da Rysavy Research, empresa de consultoria especializada em operações de redes sem fios. Saiba mais sobre a companhia no website: www.rysavy.com.
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